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PROJECTO INDEX Com um grupo de coordenadores responsável pela sua gestão, o projecto Index pretende surgir como um veículo capaz de uma elasticidade vectorial elevada, apesar da aparente imobilidade e rigidez de cada um dos índices propostos. Concebido então no pressuposto de uma vontade cinética de confronto e de uma relativa androgenia especular, isto é, como um mutante que toma essa qualidade como forma de apagamento do sujeito transformado assim em veículo efémero do sentir e pensar o mundo , e ao mesmo tempo como potenciador da sua mobilidade crítica, esta é uma iniciativa que busca um diálogo com as contradições próprias e as dificuldades inerentes à conjugação dos interesses e preocupações individuais de cada um dos elementos do colectivo que o imaginou e colocou em prática. A estrutura exteriormente rígida do esquema que alegadamente serve de base a cada uma das intervenções age igualmente como um paradoxo interno do projecto: a classificação conjugada com o inclassificável.
Esta vontade conscientemente utópica de criar uma cartografia
da realidade a partir de um conjunto de termos que é virtualmente
infinito acaba por conferir ao projecto uma mais valia substancial:
a afirmação da impossibilidade óbvia de uma representação
totalizadora do mundo e, logo, a negação interna de uma
finalidade.
Num prolongamento desta aparente inutilidade, e depois de dois primeiros
projectos (Index 1 - Controlo; Index 2 - Economia), surge agora o Index
3 - Território.
INDEX 3
Construído com base em três conceitos articulados entre
si - Território, Identidade, Exílio - cresceu à
medida de uma discussão que se centrou, no essencial, à
volta da ideia de território enquanto desenho social e da noção
de fronteira como ficção do poder.
Um determinado espaço só é reconhecível
como território se submetido a uma delimitação
que é sempre aplicada como instrumento de dominação
e controle. Os territórios assim criados pressupõem sempre
inclusões e exclusões, estar dentro ou fora, daí
a construção da identidade e a difícil condição
do exílio.
O texto "De Outros Espaços", de Michel Foucault, tendo servido como elemento fundamental do processo de trabalho, apresenta um conceito que nos parece central para este Index: a Heterotopia. A ideia de que a nossa época será talvez, acima de tudo, a época do espaço e que esse mesmo espaço é essencialmente heterogéneo, acaba por abrir desde logo o campo de possibilidades que aqui propomos.
Será, então, com base no critério de heterogeneidade
conceptual que se projectam as cartografias (no sentido de levantamento
e catalogação) das emergências, talvez paradoxalmente
autofágicas, mas edificadoras de um corpo político prolixo
na atribuição de expectativas de sentido crítico
e recusa determinante de universalidades artificiais de visão
única e global. Uma cartografia requer uma pesquisa pormenorizada
dos vários intervenientes em campo, socorrendo-se de métodos
que permitam o mais completo levantamento. Um procedimento micro conduz
necessariamente a uma analítica expandida, isto é, a uma
abordagem aprofundada mas não unidireccional. Será, também, a partir desta pluridireccionalidade que se poderão introduzir novos pontos sensíveis na análise metodológica, que contribuirão para uma mudança de direcção e de atitude perante a tese consensual. Nomeando novas entradas, estas irão abalar a sintonia formada, através de dissonâncias conceptuais que revelem o valor positivo do diferendo como factor inerente à abertura de possibilidades teóricas de nomeação de novos territórios de análise e consequentemente novos índices, não deixando de se ligar à própria génese do Projecto Index e ao seu carácter fragmentário e heterodoxo.
Apresentação pública do projecto.
Index 3 será apresentado na Galeria João Graça,
Em Lisboa, entre 4 de Julho e 12 de Setembro de 1998.
Edição do catálogo.
Para este projecto estamos a solicitar colaborações que
integrarão o catálogo da exposição, que
funcionará como um work in progress, ou seja, irá evoluindo
à medida que os referidos projectos forem sendo incorporados.
As colaborações poderão tomar qualquer forma, desde
que respeitem as características da publicação.
O referido catálogo prevê-se que será constituído
por cerca de 200 páginas em formato A5, impressas a preto e branco.
O seu modo de funcionamento será o de um dossier com capa de
cartão rígido e folhas com furações que
irão sendo acrescentadas ao longo do período da exposição
.
INDEX 3 on-line.
O site do INDEX 3 será um componente fundamental do projecto.
Funcionará como um prolongamento on-line do catálogo,
reforçando contudo o seu regime aberto de participação.
Envio de colaborações.
Este projecto será apresentado a vários convidados, os
quais esperamos venham a contribuir activamente. As colaborações
para o catálogo deverão ser entregues ou enviadas nesta
primeira fase até 30 de Junho, de preferência já
em suporte informático (disquete, zip) ou via e-mail. De qualquer
modo, haverá sempre lugar para incorporações posteriores,
respeitando o próprio conceito aberto do catálogo, que
só estará concluído em Setembro. Para contribuições
que se destinem exclusivamente ao site INDEX 3, resta igualmente a possibilidade
de utilizar o formulário que virá a estar disponível
on-line.
Endereços:
Apartado 68
2766 S. João do Estoril
e-mail:[off]
FAX: [(351.1) 4689948 / (351.2) 6101931 / (351.58) 24117]
Contactos:
Fernando José Pereira [fjp@virose.pt]
Miguel Leal [ml@virose.pt]
Paulo Mendes [off]
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